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quarta-feira, 30 de abril de 2008

A Cegueira vai a Cannes.


Dez dias após o anúncio dos 19 filmes da mostra competitiva de Cannes uma agradável surpresa acolhe as expectativas de quem torce pelo novo longa de Fernando Meirelles.
Blindness, filme baseado no romance do escritor português José Saramgo "Ensaio sobre a cegueira", foi anunciado na última terça-feira (29/04) como a película de abertura da Croisette.
Segundo Meirelles, o anúncio só se deu após todo este período, pois os distribuidores franceses queriam que o filme concorresse à Palma de Ouro, e, em contrapartida, os organizadores do evento queriam colocá-lo no coquetel de abertura do Festival, o que o excluiria da possibilidade de participar da competição, pois usualmente, os longas de abertura nunca participam da mostra competitiva.
O diretor brasileiro se diz ainda feliz, porém receoso, pois Blindness não é o típico filme que deveria fazer parte de um coquetel, tendo em vista que a história não é de fácil digestão. Contando com a presença de atores renomados como Julianne Moore, Danny Glover e Gael Garcia Bernal, o roteiro relata a história de uma cidade que sofre de uma misteriosa epidemia de cegueira que assola a população inteira, exceto pela esposa (Moore) de um médico (Mark Rufallo), contando com cenas pesadas de estupro e escatologia.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

No ZEBRA for old men

Se você esperou até as 2 da madrugada desta segundona esperando um bom e velho azarão que tornasse a noite mais divertida: um Paul Thomas Anderson ressurgindo das cinzas e roubando a estatueta dos Coen; um Johnny Depp cortando o pescoço de Daniel Day-Lewis; ou até mesmo a prodígia Saiorse Ronin ou o veterano Tom Wilkinson despontarem como melhores coadjuvantes, deve ter achado, como eu, este 80º Oscar um porre (ainda mais depois das encenações das três canções de Ecantada ). Não que Javier Bardem, Joel e Ethan, Daniel Plaineview (digo, Day-Lewis) e Tilda Swinton não merecessem. Pelo contrário. Mas a idéia de assistir a um desfile de Fause Hatens pra cá, Carolina Herreras pra lá, Diors aqui e Gabannas acolá, é justamente para na hora do “the Oscar goes to…” passar aquele friozinho na barriga e aquele que ninguém esperava subisse ao palco sem nem mesmo um discurso preparado.

A maior surpresa realmente foi por parte de Diablo Cody. Sim eu sei que ela era a favorita para o prêmio de roteiro original, mas, apesar da pose óbvia de “sou a diferentona” , fiquei abismado com o braço de estivadora que ela tem.
Confesso que fiquei feliz de não ver Cate Blanchett subir no palco como vencedora de alguma estatueta. Primeiro porque Swinton é uma grande revelação nos últimos tempos e foi muito bom ela ter recebido o prêmio por atriz coadjuvante, o que com certeza lhe abrirá portas muito maiores num futuro próximo. Segundo, porque, se Blanchett subisse ao palco nesse momento, teria menores chances de ganhar um Oscar de melhor atriz futuramente.
Mas bom realmente foi ver Falling Slowly arrebatar canção original, deixando as babaquices de Encantada comendo poeira.
De resto, os mesmos discursos de sempre, os mesmos agradecimentos de outrora e o mesmo chororô já protagonizado por Halle Barry, Charlize Theron, mas agora na pele de uma francesa.

O pior realmente foram as vinhetas de praxe da cerimônia que, desta vez, nos fez relembrar que já tivemos "O Maior Espetáculo da Terra" e "Sheakspere Apaixonado" como vencedores da estatueta mais cobiçada; que "Como Era Verde Meu Vale" derrotou "Cidadão Kane", ou que "Rocky" derrotou "Taxi Drver", ou que "Gente Como a Gente" tirou a estatueta de "Touro Indomével" e de "Homem Elefante"; relembramos também que nem Kubrick, nem Hitchcock, nem Bergman e nem Fellini subiram ao palco do Teatro Kodac para recebrem seues merecidos prêmios de melhores diretores.
Esperamos que nos próximos anos a Academia se lembre de David Fincher e outros excelentes diretores, e resolvam lhes premiar antes que morram. E principalmente, que as zebras mostrem suas caras e salvem mais um Oscar do marasmo de sempre.

Stripper profissional e estivadora nas horas vagas

As esposas estavam mais felizes

Uma estatueta a menos

Único discurso acalorado da noite

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Pra quem vai?



Desde de Agosto vem sendo especulado o ganhador da maior premiação da sétima arte. Desde Zodíaco até a animação Ratatouille fizeram parte do banco de apostas filmes como Antes que o diabo saiba que você está morto e até mesmo a adaptação homônima do livro O caçador de pipas. Porém, depois das premiações dos vários sindicatos e do Globo de Ouro, esse caminho nebuloso foi-se tornando mais claro. Despontaram como favoritos filmes como Juno, Onde os fracos não têm vez e Sangue Negro, e no dia 22 de Janeiro as indicações firmaram-se previsíveis.
Abaixo, listamos os principais indicados nas proncipais categorias, os prováveis vencedores e as possíveis zebras:





Melhor filme: Onde os fracos não têm vez é o mais verossímil dono da estatueta. Tendo vencido na maioria dos sindicatos de críticos e principalmente no de atores, fica difícil que Sangue Negro, que é a segunda aposta, abocanhe a estatueta. Os outros indicacos são Juno, Conduta de Risco e Desejo e Raparação.

Melhor diretor: A Academia adora “corrigir” erros passados e premiar um diretor que já concorreu várias vezes sem obter êxito (como no ano passado com Scorcese), portanto se tonra mais recorrente acreditar que a Academia escolha a dobradinha dos irmãos Coen e lhe premiem também com a estatueta de Direção. Porém, os votantes podem pensar da mesma maneira em relação a Paul Thomas Anderson que foi simplesmente ignorado pela Academia em Magnólia, e ainda há de se ficar de olho no vencedor de Cannes Julian Schnabel. Jason Reitman e Tony Gilroy parecem a quilômetros de distância dos outros, portanto suas vitórias são bem improváves.


Melhor ator: Daniel Day-Lewis não tem pra ninguém. Após seu discurso no SAG no qual emocionou a platéia ao homenagear o colega Heath Ledger, garantiu seu segundo Oscar deixando Johnny Depp, seu principal concorrente, comendo poeira. Os outros indicados são Tommy Lee Jones, George Clooney e Viggo Mortensen.




Melhor atriz: A atriz mais jovem a ganhar a estatueta na categoria, a que demorou mais tempo para ganhar pela segunda vez ou a primeira atuação em língua estrangeira depois de 46 anos. Qualquer das três (Ellen Page, Julie Christie e Marion Cotillard, respectivamente) que sair vitoriosa vai fazer história. A consagração tende a cair sobre a indiana, que venceu pela primeira vez em 1966 por Darling, mas as críticas a favor sobre a francesa podem ter sido fator decisivo para os votantes. Porém, a disputa entre as duas pode favorecer Page que pode roubar os votos divididos entre as duas primeiras. Cate Blachett parece impossível subir ao palco do Kodac Theater para receber a premiação, alguns dizem que Elizabeth é tão ruim que nem se nota a atuação de Blanchett. Já Laura Linney é uma surpresa até mesmo ter concorrido, quanto menos ganhar.




Melhor ator coadjuvante: Se no ano passado as atuações femininas eram mais do que certeza (Helen Mirren e Jennifer Hudson), este ano as masculinas é que estão sendo barbada nas apostas. Além de Day-Lewis, o espanhol Javier Bardem segue como franco favorito na disputa pela categoria de coadjuvante e só perde a estatueta se a Academia resolver dar um prêmio de consolação para o subestimado Assassinato de Jesse James e premiar Casey Affleck. Quanto aos outros (Hal Holbrook, Philip Seymour Hoffman e Tom Wilkinson) a probabilidade que vençam é ainda menor, deixano o caminho livre para Bardem.





Melhor atriz coadjuvante: Cate Blanchett, a Copa Volpi do ano passado, se mostra a nova queridinha da Academia que lhe concebeu esta segunda indicação neste ano e segue como uma das favoritas do grupo. Amy Ryan também veio arrancando alguns prêmios das mãos da australiana, o que a torna uma forte concorrente. Mas também não nos esqueçamos de Ruby Dee que venceu o prêmio de Atriz Coadjuvante do Sindicato de Atores, e nem de Tilda Swinton que está ótima em Conduta de Risco e pode surpreender.


Roteiros : O Oscar de roteiro sempre serve de parâmetro para o vencedor de melhor filme, se no ano passado Pequena Miss Sunshine empurrou Babel da disputa, neste ano a coisa é diferente: se o longa dos Coen ganhar o prêmio de roteiro adaptado, fica quase impossível que Sangue Negro ganhe o principal Oscar, mas se o roteiro de Paul Thomas Anderson for premiado, a disputa aperta, e pode pôr Juno, que terá seu roteiro original condecorado, no páreo de Melhor Filme.


Melhor Animação: O ovacionado filme de Brad Bird, Ratatouille, segue como favorito, mas os votantes podem muito bem surpreender ao terem votado em Persépolis como prêmio consolação, pois foi esquecido na categoria dos filmes estrangeiros.

Abaixo seguem as indicações dos principais filmes que farão parte da cerimônia deste ano:
Sangue Negro: melhor filme; melhor ator (Daniel Day Lewis); melhor diretor (Paul Thomas Anderson); melhor direção de arte; melhor fotografia; melhor edição; melhor edição de som; melhor roteiro adaptado.
Onde os fracos não têm vez: melhor filme; melhor diretor (Ethan e Joel Coen); melhor ator coadjuvante (Javier Bardem); melhor roteiro adaptado; melhor fotografia; melhor montagem; melhor edição de som; melhor mixagem de som;
Desejo e reparação: melhor filme; melhor atriz coadjuvante; melhor direção de arte; melhor fotografia; melhor figurino; melhor trila sonora original (Dario Marianeli); melhor roteiro adaptado.
Conduta de risco: melhor filme; melhor ator (George Clooney); melhor ator coadjuvante (Tom Wilkinson); melhor direção (Tony Gilroy); melhor atriz coadjuvante (Tilda Swinton); melhor roteiro original; melhor trilha sonora original.
Juno: melhor filme; melhor direção (Jason Reitman); melhor atriz (Ellen Page); melhor roteiro original.

Mas em um ano que será conhecido como “O ano em que Oscar quase não aconteceu” torna mais difícil prever o que acontecerá na 80ª maior noite do cinema e o que teria se passado na cabeça dos milhares de atores, diretores, roteirista, produtores e outros votantes da Academia de Artes Cinematográficas.